13/09/2011

Are you real, or just a ilusion?

Capítulo 11




Durante todo o espectáculo a Skylar lançou-me olhares intrigantes, como que a dizer “Temos muito para falar minha menina”, olhares esses que eu evitava, fingindo-me excessivamente concentrada no bailado. Apesar desta aparente concentração, estava completamente distraída, a sonhar ainda com aquele momento em que o Matt me beijou. Foi algo tão familiar, como se já nos conhecêssemos há anos e fôssemos namorados. Estranha, esta palavra. Namorados. Desperta-me sentimentos que tenho tentado ocultar, factos da minha vida anterior que me tinham feito odiar esta palavra tanto quanto o conceito dela. Não existia essa coisa do Amor. Apenas uma ilusão dela. Tal como o Jason tinha sido uma ilusão para mim. E, no entanto, aquilo que eu sentia pelo Matt era tão real…
Repentinamente as luzes do palco apagaram-se, fazendo-me voltar à realidade. Um foco de luz apontava para uma das pontas do palco, quando um ser esvoaçante aparece como por magia por detrás do palco. Era Matt.
O seu corpo contorcia-se em movimentos elegantes, por vezes lentos, por vezes tão rápidos que nem percebíamos como conseguia fazer aquilo. Estava a dar tudo por tudo. Ele estava só de calças brancas, o que fazia sobressair o seu escultural corpo, com os abdominais definidos, mas não demais, as costas elegantes e magrinhas e a pele morena. A uma determinada altura da coreografia, James juntou-se a Matt, o que fez a Skylar soltar um guincho, agarrando no meu braço com força.
-Au!!!
-SSShhhhh – as pessoas ao meu lado mandavam-me calar. Encolhi-me no meu lugar, envergonhada, com as bochechas a tingirem-se de vermelho.
Prestei novamente atenção a Matt e James. Dançavam juntos, como se estivessem a lutar, mas sem se tocarem. Fazia-me lembrar da arte marcial brasileira, Capoeira. No final, ao som de um forte bass, deram uma espécie de mortal para trás, caindo no chão, um para cada lado, ao mesmo tempo que uma dramática batida do tambor. As luzes apagaram-se, e o pano caiu. Todo o público se ergueu numa chuva de palmas, enquanto as luzes se voltavam a ligar e o pano se levantava novamente, revelando por trás dele um alinhamento de todos os bailarinos que tinham participado no bailado. Ao centro, Matt e James. Agradeciam os aplausos com vénias.
Olhei para o lado. A Skylar sorria e, com os dedos, limpava uma lágrima que lhe corria pela face abaixo.
-Skylar… Estás bem? – perguntei, preocupada.
-Sim, claro. Estou só muito feliz pelo James. Este era o sonho dele e é provável que os coreógrafos o elejam. Também devem eleger o Matt – diz, olhando para mim com um sorriso.
-Eleger? Para quê? – perguntei, com receio.
-Não sabes, Mary? Estes coreógrafos são de LA, vieram cá para eleger bailarinos para a sua companhia de dança na California. O Matt não te contou?
Caiu-me o coração aos pés. Paralisei um segundo, chocada com o que tinha ouvido. Tentei recompor-me rapidamente.
-Não. O Matt não me contou nada.
Quando saímos do edifício, dirigi-me com a Skylar para o local onde Matt me tinha beijado antes do espectáculo. Encostámo-nos à parede enquanto esperávamos pelos rapazes. De repente a porta abre-se com violência e James aparece aos saltos.
-BABY, I was on fire tonight!!! – grita, com entusiasmo.
Skylar aproxima-se dele e beija-o apaixonadamente.
-Pois estavas bebé. Parabéns! – responde Skylar, com um enorme sorriso.
Agarra no braço dele e dirigem-se para a rua principal, sempre a tagarelar.
Uma silhueta surge timidamente por dentro do edifico. Era Matt.
-Bem… O que achaste? – pergunta enquanto se aproxima de mim.
-Vais para LA? – pergunto de forma seca.
-O quê?
-Vais ou não vais viver para LA?
-…
-Pois…
Viro costas e começo a andar, mas Matt agarra-me no braço e puxa-me para si.
-Mary… Desculpa não ter dito nada… Não sei se vou ou não…
-Pois Matt, mas se calhar já devias saber que não gosto de segredos nem mentiras. Quando esperavas dizer-me? Quando começasses a arrumar as malas não? E depois, como era comigo? Devias dizer-me já, para arranjar a minha vida, senão…
Matt puxou com força o meu braço para si e espetou os seus lábios nos meus. Afastei-me.
-Não penses não que fico chateada contigo.
-Cala-te – disse, com um sorriso, espetando-me outro beijo logo de seguida.
Não consigui resistir ao beijo apaixonado que vamos trocando e, aos poucos, deixo de lutar e deixo-me ir. Ele afasta-se, agarra-me na cara e olha para os meus olhos.
-Vamos deixar as coisas acontecerem, sim? E se for viver para LA, vens comigo, isso nem se põe em questão.
-Sério?
-Prometo que sim – diz, enquanto me abraça novamente.
-Já te disse que foste maravilhoso?
Olho-o novamente nos olhos e beijo-o longamente.

4 comentários:

  1. AAH adoro esta história. Por favor, não deixe de escrever :D

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  2. Oh, obrigada! :') é tão bom saber que alguém lê a minha história! E prometo que a Mary e o Matt vão ter muitas mais aventuras! ;D

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  3. Ó meu Deus, eu amo tanto esta história! :o Também escrevo: -boulevard-of-broken-dreams-.blogs.sapo.pt/

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  4. Oh, obrigada querida :) Eu sei, conheço o teu blog, sigo a história da Alice já há algum tempo e simplesmente AMO :D

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