Quando saí do banho, já tinha as minhas malas em cima da cama.
Tirei as minhas leggings pretas, vesti um body preto, apanhei o cabelo e fiz
uma trança. Tirei os meus velhos sapatos de ballet. Ainda me serviam.
Quando
saí do quarto, Matt estava na sala. Tinha vestido umas calças pretas simples e
uma t-shirt sem mangas cinzenta. Levantou-se rapidamente quando me viu.
-Estás linda.
Corei
imenso.
-Anda, deixa-me levar-te ao meu estúdio de dança.
-Tu tens o teu próprio estúdio?
-Sim, digamos que é o meu escritório, ahahaha. Tenho de ter um
sítio onde possa treinar, não é?
Levou-me
para outra sala. Também tinha a parede toda envidraçada, por onde entrava uma
luz cinzenta. O céu estava cheio de nuvens. Tinha uma outra parede, forrada de
espelhos, e uma barra de ballet.
Entrou
e foi até ao centro da sala. Estendeu a mão e chamou-me. Caminhei lentamente
até ele, e pus a minha mão na dele. Puxou-me para si, ficando os nossos lábios
quase a tocarem-se. Senti o seu doce hálito, deitou-me para trás e beijou-me o
pescoço. Deixei-me ir e dançámos os dois. Sem música nem nada. Não
precisávamos. Bastava sentirmos o corpo um do outro, deixarmo-nos ir. De
repente, puxou-me para si e avançou para mim. Fechei os olhos e… beijou-me
a testa. Admito que também não estava preparada para o beijar, pois tinha
deixado o Jason há tão pouco tempo. Afastou-se e agarrou-me numa das mãos.
-Tens um dom – sussurou-me.
-Não sabes o que dizes – disse eu, enquanto ficava vermelha que nem um tomate – Já não dançava há muitos anos
mesmo.
-Não se nota mesmo nada!
Corei
ainda mais.
Ficámos
toda a manhã a dançar, foi perfeito. À tarde, no entanto, tinha de decidir o
que fazer. Não podia continuar a viver em casa dele como um hóspede.
-Matt, eu… Agradeço imenso tudo o que fizeste por mim, mas tenho
de ir. Não posso viver à tua custa.
-Nem penses! Ficas cá e pronto!
-Estou a falar a sério Matt.
-E eu também. Por favor, fica mais uns dias, Mary.
-Não posso. Estou só a incomodar-te…
-Estás nada. Anda, vamos dar uma volta. Quero-te mostrar um sítio.
E,
sem me deixar responder, agarrou-me ao colo e levou-me para o quarto.
-Vá, veste algo.
Tirei
da minha mala um vestido azul que tinha, soltei o cabelo, penteei-o um
bocadinho, tirei o meu cardigan cinzento e fui ao encontro dele. Estava vestido
com umas calças de ganga, uma t-shirt amarela e um casaco castanho e cheirava
espantosamente bem.
Mattew
levou-me para um sítio bastante escondido no Central Park. Tinha uma pequena
ponte e passava um regato por baixo.
-Sabes - começou ele por dizer
– venho aqui quando quero
espairecer. É um sítio especial para mim. Estava à espera da pessoa certa para
o partilhar – e virou-se para
mim.
Corei
imenso e aproximei-me dele. Ele voltou-se novamente de costas e abracei-o. Ele
deu-me a mão e ficámos assim, sem dizer nada, apenas a pensar um no outro.

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