20/08/2011

I'm still alive


Capítulo 3



Algo me puxou para fora de água. Já não sentia nada, entrara em hipotermia há muito. Abri os olhos devagarinho. Estava num barco, com um rapaz todo molhado à minha volta. Parecia reconhecê-lo. Dizia qualquer coisa, mas não conseguia ouvir. Fechei novamente os olhos.

Quando os abri, estava deitada numa cama, tapada com cobertores, com o tal rapaz ainda a olhar para mim. Sentei-me devagarinho, doía me imenso a cabeça.
-Estas bem? – perguntou ele. Tinha um voz doce, sensual até.
Tentei responder, mas não consegui. Abria a boca e nem um som saía.
-Não te preocupes, descansa agora. Vou-te levar para minha casa, ok?
Acenei que sim com a cabeça. Olhei pela janela do veleiro. Via-se a Estátua da Liberdade ao longe. Quando chegámos ao porto, pegou-me ao colo e levou-me para dentro de um táxi. Tinha a pele quente e suave e cheirava extremamente bem. O rapaz deu a morada ao taxista e este levou-nos para uma zona de apartamentos junto ao Central Park. Estendeu uma nota de 50$ ao homem e, agarrando-me ao colo novamente, levou-me para dentro do seu prédio. Subimos até ao último andar, um loft moderníssimo, com uma parede envidraçada que tinha vista para todo o Central Park. Levou-me para o quarto dele e deitou-me na cama.
-Venho já – disse.
Fiquei a olhar para o quarto dele. Tinha uma parede de tijolo cinzento e as restantes pintadas de branco. Aliás, toda a mobília era branca. Excepto um cadeirão oval, que era dum cor de laranja bastante forte. Tinha imensa personalidade, mas ao mesmo tempo era simples e pacífico. O rapaz entretanto regressara. Trazia duas canecas na mão, de chocolate quente. Estendeu-me uma, e sentou-se à beira da sua cama.
-Cuidado que está quente.
Sorvi o chocolate com cuidado para não me queimar. Aqueceu-me todo o corpo e soube extremamente bem.
-Obrigada - consegui finalmente dizer.
-Ora essa – disse, olhando para mim – Chamo-me Matt, já agora.
-Chamo-me Mary Ann.
-Gosto desse nome.
Corei.          
-Obrigada.
Olhou para a chávena dele, como se tivesse a ganhar coragem para perguntar algo. Levantou a cabeça.
-Olha Mary Ann, posso perguntar-te uma coisa?
-C-claro.
-O que fazias dentro de água?
Boa. Não ia dizer que me estava a tentar suicidar.
-A-a… Eu…
-Saltaste da ponte?
-Bem, eu… Sim…
Ele, ao contrário de que seria de esperar, não fez mais perguntas. Simplesmente ficou ali, a olhar para mim e eu a olhar para ele.
-Bem – interrompeu ele – já é muito tarde mesmo. Vai dormir, sim? Amanhã falamos melhor.
Agarrou na minha caneca e abandonou o quarto.
-Matt.
Parou à porta e virou-se para trás.
-Sim?
-Obrigada.
Sorriu.
-Vai dormir. Até amanhã.
-Dorme bem.
De manhã, quando acordei, trouxe-me o pequeno-almoço na cama. Eu não quis mas ele insistiu. Depois de comer, sentei-me com ele na cama e basicamente contei-lhe a minha vida. A mãe adolescente, o abandono, a Britanny, o Jason, a Ashley. Durante o meu longo monólogo Matthew manteve-se calado, simplesmente a ouvir-me.
-E achei que já nada valia a pena. Sei lá, foi mais fácil desistir de tudo, já que o mundo desistiu de mim.
Ele continuava calado. Levantou-se, aproximou-se de mim e abraçou-me. Confesso que fiquei surpreendida e sem saber o que fazer… Sentia-me segura nos braços dele. Não era um estranho para mim. Logo quando o vi não o senti como um estranho.
-Desculpa ter-te chateado com esta conversa toda. Por favor, conta-me algo de ti – pedi.
-Bem, o que posso dizer… Sou só um simples bailarino.
-Tu danças?
-Sim. É assim tão mau? – perguntou ele a rir.
-Não, não mesmo! É que eu também já fui bailarina.
-A sério?
-Ballet.
-Contemporânea.
-Tens de me mostrar esses teus dotes!
-Aahaha, está bem. Mas só se me mostrares os teus!
-Ok, ahaha!
-Anda comigo. – disse, puxando-me o braço.
-Espera, não tenho nada para vestir!
-Eu peço para irem buscar a tua roupa. Vai tomar um banho entretanto. Tens toalhas no armário da casa de banho. Até já.

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