20/08/2011

Are things about to change?


Capítulo 6 



Mattew trabalhava numa peça de bailado contemporâneo e estava quase a estrear na Broadway. Todos os dias treinava intensa e exaustivamente. Às vezes ficava a espreitar pela porta os seus treinos. Adorava vê-lo a dançar. Tinha tanta alma e paixão! As coisas ainda não tinham avançado muito desde aquele quase beijo, no entanto dávamo-nos super bem. Matt tinha-me contado a história da sua vida numa tarde nublada de Maio enquanto bebíamos chocolate quente e bownies.

-Os meus pais são os donos da empresa que gere os meios de comunicação em toda a América. É raro vê-los, estão sempre em viagens de trabalho. Agora estão a morar em Beverly Hills, em LA. Querem que eu seja o próximo herdeiro da empresa deles, mas aquilo que eu mais quero fazer é dançar. Eles felizmente compreenderam isso, por isso deram-me este apartamento para poder praticar e estar sempre perto da academia.
-Isso é óptimo! – disse eu.
-Sim. Mas nunca fui muito feliz. Mas agora sou. – disse, sorrindo e olhando para mim com aqueles olhos verde-água dele.
Corei imenso e baixei a cabeça.
-Gosto muito de ti Matt.
-Também eu – disse, abrançando-me.
-Bem, o que queres para o jantar? – perguntei eu enquanto lhe dava um beijinho na bochecha e caminhava em direcção à cozinha.
-AAAH, vais cozinhar por mim? Obrigadobrigadobrigadoo!
-Ahaha, diz lá o queres – disse eu, rindo.
-Esparguete à bolonhesa please – disse, com uma carinha de inocente – vou continuar a treinar, ok?
-Ok, eu chamo quando estiver pronto.
Desde que me mudara para casa do Matt, que ele tinha sido um querido para mim. Não me deixara ir morar para lado nenhum e eu, como agradecimento, cozinhava e limpava para ele. Ele detestava isso. Eu não me importava. Afinal de contas, tinha feito aquilo toda a vida.
Entretanto, já tinha arranjado emprego no Starbucks por baixo da Academia, o que dava bastante jeito, pois bastava sair do emprego podia ir logo dançar. As coisas no ballet também estavam a correr muito bem, tinha sido seleccionada para a peça Lago dos Cisnes onde a Skylar fazia de Cisne Branco. Curiosamente, o papel de Cisne Negro tinha ido para Cassidy, uma rapariga ruiva extremamente arrogante e antipática. Tinha, no entanto, muito talento. Eu tinha apenas um pequeno papel, uma dança em grupo, mas para mim já era uma vitória!
Nessa noite, depois de jantarmos e de Matt me ter partido a rir ao brincar com o esparguete fazendo bigodes e outra parvoíces, fomo-nos deitar pois no dia seguinte seria a sua estreia. Fui para o quarto de hóspedes e deitei-me na cama. Durante a noite tive pesadelos horríveis com água, como se me algo tivesse a puxar para dentro de um rio fundo e escuro. Não conseguia respirar e de repente vi quem me estava a agarrar a perna. Era Ashley, a minha antiga melhor amiga. Subitamente, tudo desapareceu, até que estava num quarto totalmente branco e vazio. Ao fundo, uma menina, em sapatos de pontas, vestia um vestido de cisne negro. Era ruiva. “Mary  Aaaaann” sussurrava ela, com uma voz sibilante e aguda. “Sim?” E a menina virou-se, libertou um guincho agudíssimo e engoliu-me.
Levantei-me de repente. Estava coberta de suores frios. O que quereria dizer aquele sonho? Levantei-me e fui buscar um copo de água. Ouvi passos e virei-me, assustada.
-Mary, estás bem?
Era Mattew.
-Oh Matt, não, tive um pesadelo horrível…
-Pois, eu ouvi-te a gritar…
-Eu gritei? Oh desculpa, que parva… Amanhã tens a estreia, ainda por cima.
-Não te preocupes. Anda.
Pegou-me ao colo e levou-me para o quarto. Estava super corada, mas com a escuridão não se deve ter notado. Ainda bem. Deitou-me na sua cama, tapou-me e deu-me um beijinho na testa.
-Já passou, estou aqui, sim? Dorme bem. Adoro-te.
Aquelas palavras foram mágicas… Ele deitou-se, virado para o outro lado. Virei-me e encostei a minha cara às costas dele. Ele virou-se e puxou-me para o seu peito. Adormecemos assim, abraçados. Nunca dormi tão bem. Estava perfeita nos braços dele. Senti-a me bem, completa, segura. Sentia-me feliz. Era feliz.

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