21/08/2011

Red is the colour of love

Capítulo 7




De manhã acordei abraçada a Matt. Saí devagarinho para não o acordar e fui preparar-me para o trabalho. Vesti uma saia cinzenta com meias bourdeaux e uma camisola branca. Apanhei o cabelo numa trança e fiz um lacinho no final. Saí de casa e fechei a porta devagar. Estava sol, o que é de estranhar numa manhã de Maio em Nova Iorque. Chamei um táxi.
-E para onde vai a menina? – perguntou-me o taxista com um acentuado sotaque mexicano.
-104th Street por favor.
Parámos várias vezes devido ao trânsito, mas finalmente chegámos. Estendi uma nota de 10 dólares e saí. O café estava super movimentado, como era normal numa manhã. Todos os nova-ioquinos gostam de um café quentinho pela manhã. Entrei e vesti a farda. A Skylar estava nas traseiras do café a discutir com alguém. Foi quando reparei que era o James. Mordi o lábio. O que será que se passava?
Comecei a servir Capuccinos e Mocaccinos a toda a gente quando a Skylar se veio juntar a mim. Tinha os olhos inchados.
-Que se passou Skylar? Está tudo bem?
-Sim. Já falamos.
Esta resposta não era nada dela. A Skylar tinha sempre uma certa alegria juvenil que lhe dava um ar muito simpático. Era super social e nunca se calava. Para estar assim as coisas não deviam estar nada boas.
Quando terminámos o turno, às 14h, ainda tínhamos duas horas antes de irmos para a Academia. Fomos passear ao Central Park. Sempre gostei daquele parque, só lá tinha ido 2 vezes em criança, mas adorava ver as pessoas nos seus piqueniques, adolescentes a jogar futebol e casais a namorar. Sentámo-nos num banco e Skylar não se aguentou. Começou a chorar compulsivamente e a soluçar imenso.
-Mas o que se passou Skylar?
-Oh Mary, tu nem sonhas… Aquela estúpida da Cassidy inventou um monte de mentiras e foi contar ao James. Disse-lhe que eu o andava a trair com o Aaron…
Encolhi-me. Não era a melhor pessoa para falar de traições. Mas tinha de mostrar o meu apoio à Skylar. Pus o meu braço à volta dela e abracei-a.
-Oh Skylar, tenho a certeza que se falares com ele e mostrares-lhe por A+B que é impossível tu teres feito isso, ele acreditará. Afinal de contas, ele ama-te e deveria confiar em ti.
-Bolas, ainda por cima hoje é a estreia deles…
-Por isso mesmo. Resolves as coisas com ele, dás-lhe um beijo antes de ir para o palco e tudo vai ficar bem.
-Achas?
-Confia em mim.
-Obrigada Mary.
-De nada – sorri.
Skylar também esboçou um pequeno sorriso. Até que fez uma cara marota.
-Uh, então, o que vais vestir hoje à noite? Tu vais, certo?
-Sim, o Matt convidou-me. As coisas entre nós estão bastante bem.
Mas a Skylar já não estava a ouvir. Quando se falava de roupas, não pensava em mais nada. Ela era mesmo assim. Arrastou-me para casa e obrigou-me a experimentar todos os meus vestidos.
-Este não é muito bonito. Não gosto desta cor. Hum, acho que não funciona muito bem para o teu corpo.
Estava coberta de roupa até à cabeça. Bem, ao menos ela era sincera. De facto, não tinha nada de jeito para vestir.
-Skylar, é só um vestido. Acalma-te please.
-Esquece, não é só um vestido. Tens de ir deslumbrante e linda, para o Matt!
Revirei os olhos.
-JÁ SEI! – gritou ela repentinamente.
-Men, que susto.
-Venho já – e saiu de casa a correr. Aquela Skylar era demais. Fazia-me sempre rir.
Quando voltou trazia um vestido vermelho.
-Vermelho, Skylar?
-Confia em mim.
-Confiar, eu confio. Agora não confio é naquilo que escolheste...
-Ai, não sejas picuinhas, este vestido é lindo - olhou para o relógio - O-H-M-E-U-D-E-U-S.
-Já lá devíamos estar, não é?
Agarrámos nas mochilas e fomos para a Academia.

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