03/09/2012

New year, new life?

Capítulo 18


Depois de uma grande passagem de ano, estava de volta à escola. Era segunda-feira, o pior dia do meu horário, com 2 horas de literatura inglesa para começar bem o dia. Acordara mal-disposta de manhã e saira de casa antes de alguém ter acordado. Os ensaios de Matt e James eram ao meio-dia e mais tarde às 17, enquanto que Skylar só tinha uma vez por dia, às 18. Por isso muitas vezes saia de casa sozinha e, quando regressava, ainda ninguém tinha chegado. Nos últimos meses tinha-me aproximado bastante de Emily, Mike e Chistinna. Passávamos juntos todos os momentos do dia e eram a melhor companhia que se poderia desejar. Normalmente encontrávamo-nos de manhã cedinho junto à escadaria principal, antes de começar as aulas, e falávamos sobre o fim-de-semana anterior, ou combinávamos ir almoçar ao pequeno café ao lado da escola. Só que hoje ninguém estava na escadaria, como habitual. Sentei-me nos degraus e tirei da mochila o livro "Moby Dick", que estávamos a ler em Inglês.
-Bom dia miúda!
Já conhecia aquela voz melhor que ninguém.
-Bom dia Aaron - respondi eu.
-O que estás a fazer?
-A descobrir a cura para o cancro! O que é que te parece? - disse num tom irónico, enquanto revirava os olhos.
-Pronto, já vi que acordaste com os pés de fora. Vou bazar.
-Espera Aaron... Desculpa, hoje acordei mal-disposta. Senta-te aqui comigo.
Aaron sentou-se a meu lado e tirou um cigarro de dentro da mochila. Ofereceu-me um.
-Obrigada, mas não fumo.
Enquanto Aaron mandava passas no seu cigarro, emanando bolas de fumo para o ar, eu olhava o meu livro. No entanto, não o lia. Estava antes a pensar como seria a vida daquele rapaz. Certamente não seria fácil... Como eu o compreendia...
-Não tenhas pena de mim.
-O-o quê?
-Eu percebi no que estavas a pensar. Deu para ver. Estou só a dizer que não tens de te preocupar, eu desenrasco-me bastante bem.
-Oh Aaron, não queria... - como teria percebido no que eu pensava?
-Na descontra. A minha mãe era uma prostitua que ficou grávida e quando eu nasci, mandou me para os meus primos. Vivo com eles desde então. Não temos a melhor relação, nem eles as melhores condições, mas sobrevive-se. Sempre consegui sobreviver.
-Como te percebo... - respondi, apaticamente, enquanto pensava por tudo o que tinha passado.
Ficámos um momento em silêncio, a pensar nas nossas vidas, quando o Aaron interrompeu:
-És fixe miúda - disse enquanto se levantava - deverias conhecer os meus amigos, de certeza que te ias dar bem.
-Ah, c-claro, porque não...
-Até logo - disse, abrançando-me. Não fora um abraço apertado, foi antes uma despedida de amigos.
-Até logo - respondi enquanto ele se afastava. Fiquei a olhar para ele até virar a esquina e voltei a sentar-me no degrau. Peguei no livro para o continuar a ler quando...
-MARY ANN! - Emily gritava ao meu lado.
-Ai! Bom dia Em, para que foi o grito?
-Mas que foi aquilo que eu vi, Mary? Abraças o maior drogado e mulherengo da escola assim sem mais nem menos? Não te metas com ele Mary, ele é má pessoa e dá-se com más companhias!
Mike e Chris estavam atrás de Emily, aquela lider natural, e notava-se que concordavam que o que ela dizia.
-Emily, tu não o conheces... Ele até é boa pessoa! Tem a vida difícil, é só...
-Não quero saber! Ele tem fama de traidor, Mary!
Revirei os olhos e, agarrando-a pelo braço, puxei-a escada acima.
-Pronto Em, eu não falo mais com ele. Descansada? Agora anda que o Mr. Fields está à nossa espera.
E caminhámos em direcção à aula mais secante de sempre. Aaron não parecia má pessoa. Com certeza seria tudo inventado, apenas rumores. Tenho a certeza.

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